O que é superinteligência, afinal?
A palavra aparece em manchetes, discursos de executivos e alertas de pesquisadores. Antes de discutir se ela vem, vale saber do que se está falando.
De onde vem a ideia
Em 1965, o matemático britânico I. J. Good descreveu uma "máquina ultrainteligente", capaz de superar qualquer pessoa em qualquer atividade intelectual. Como projetar máquinas também é uma atividade intelectual, ela poderia projetar máquinas ainda melhores. Good chamou o resultado de "explosão de inteligência".
A definição mais citada
O filósofo Nick Bostrom, no livro Superintelligence (2014), propôs a definição que virou referência:
Qualquer intelecto que exceda em muito o desempenho cognitivo dos humanos em praticamente todos os domínios de interesse.
Repare nos dois limites: "em muito" e "praticamente todos". Um sistema que joga xadrez melhor do que qualquer humano não é superinteligente. Ele é excelente em um domínio só.
O que mudou nos últimos anos
Os grandes modelos de linguagem passaram a ir bem em tarefas muito diferentes entre si: programar, resumir, traduzir, resolver problemas de matemática. Essa generalidade é o que reacendeu o debate. Ainda assim, os mesmos sistemas erram de formas que nenhum especialista humano erraria.
Vai acontecer? Quando?
Aqui não há consenso. Uma parte dos pesquisadores acha que basta continuar aumentando escala e dados. Outra parte acha que faltam ideias fundamentais. Há ainda quem considere o conceito mal definido demais para prever qualquer coisa.
O noeia.si aposta que vale a pena acompanhar essa pergunta de perto. Apostar não é afirmar. Quando publicarmos previsões, elas virão com fonte, prazo e grau de confiança, e voltaremos a elas para conferir.
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